quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Do câncer ao crematório

A morte. Eu já morri de tantas formas até aqui que nem lembro mais o sofrimento que passei. Deve ser difícil pra mim, ou pra você que lê, mas o fato é que meu ser ambíguo ainda se recupera de todos os desastres psicológicosno qual passei. Privo-me de sentimentos agora, pois a grandeza de meu eu é maior do que aguentar isso, e sinceramente, antes eu até me importava.
Parece que tantos assassinatos me tornaram um homem bem procurado. De certa forma é até redundante falar isso, e não lembro nada, exceto quando fui acordado as exatas 04h00min da manha:O policial gritava no meu ouvido pedindo como eu me chamava, e uma luz de cegar fritava meus olhos como ovos no café da manha. – Franc, MEU NOME É FRANC! E um golpe de coronha me fez apagar na mesma hora.
Nunca pensei que a cadeia seria minha ultima casa, e jurei pelo meu orgulho que não seria.
Segundo o que ouvi: alguém com quem me relacionei brevemente não havia morrido suficientemente para ficar em silencio, e como eu já me fazia suspeito – nas escuras – de vários outros crimes, essa foi a fagulha para minha incineração.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Relicario - final

09h15min da manha. Alguém bate na porta chamando por mim. Eu ainda sonolento, e alegre por poder dormir no quentinho de uma cama novamente: - Aquele hotel me fez sentir vivo novamente. Dirigi-me até a porta, e a abri vagarosamente. Foi quando um punho veio de encontro ao meu rosto. Não tive chance de defesa e caí instantaneamente. – Isso me fez lembrar historias de pessoas apanhando. Tentei falar, mas o maluco parecia não querer parar. Fiz a maior força, até que consegui jogar-lhe para o lado, foi quando agarrei a garrafa de vinho que estava sob a mesa e desferi um golpe em seu crânio, que o fez cair na hora. Era assim que começava a nascer um assassino.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Relicário - Parte 2

Foi tudo muito difícil, e complicado. Fiquei os dois anos seguintes morando em uma casa abandonada. Pagava a um mendigo para comprar comida e bebida. Saía pelas ruas, sempre disfarçado, embora vez ou outra eu fosse reconhecido, e era obrigado a fugir novamente. Apeguei-me tanto ao tal mendigo, que comecei a chamar de pai.
Meu dinheiro precisava de um banco, e eu já era maior de idade. Agora poderia sair por aí sem ser perseguido, embora eu sempre fosse metralhado por perguntas, perguntas muitas vezes de pessoas que eu nem conhecia, ou nem lembrava mais.
Notícias não eram necessárias, eu estava sabendo de tudo o que havia acontecido nesses dois anos. Claro! Eu estava “logo ali”, e jornais eram vendidos em todo o lugar.
Recuperei o dinheiro que me faltava da herança, e depositei junto com o restante, que sobrara do que eu havia levado quando fugi de casa.
Parecia tudo tão certo, exceto pelo boato que corria pela cidade. Boato que me declarava culpado pela morte de minha mãe. Um tanto contraditório, sendo que minha mãe havia morrido no hospital. Esperei, e tinha certeza de que algum maluco iria me procurar tentando fazer “justiça”. Isso era comum em Malta, tão comum que meu palpite estava certo.


CONTINUA...

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Relicário

Busquei achar explicações para o que eu estava sentindo, e isso me fez lembrar quando eu comecei nesse "ramo". Minha vida sempre foi pacata, nasci dia 12/08/52 morava com minha mãe e meu pai. Meu pai era pintor, e suas obras impressionistas eram de tal beleza que não se comparava a de outros artistas. Pena que sua vida, e seus sofrimentos particulares o levaram a loucura, e o fizeram sair de casa. Aos 12 anos, eu era o homem da casa, e minha herança era grandiosa.
Minha mãe nunca parou de trabalhar após o “sumiço” de meu pai. Ela costurava, e muito bem. O ganho com as roupas era o suficiente para cobrir o custo do mercado, não que precisasse, mas isso a deixava mais orgulhosa de seu serviço.
Pouco após eu ter completado 17 anos, minha mãe me deixara também, devido a complicações estomacais pelo excesso de café, que hoje, quase que passado de mãe para filho, eu também tenho. Sofri muito com sua morte. Pessoas tentaram me levar para casas de apoio, internatos e tantas outras instituições, mas acabei por fugir com todo o dinheiro que ficava no cofre da nossa família.
CONTINUA...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Sinfonía número 2

Não existem escolhas depois que você começa. Quando o vicio toma parte de você, ao mesmo tempo você o mantém vivo. Eu procuro moderar, é difícil fazer amizades, e criar álibis me toma muito tempo. Hoje em dia me perguntam se eu já fui preso. Lógico! Mas eu era tão bom no que fazia que as mínimas provas encontradas, não bastavam para me enjaularem por mais de uma noite.
Depois do dia em que me vi desorientado e tendo que fugir. Pensei que talvez fosse à hora de alguém me pagar por tantos crimes. Se bem que ninguém nunca pediu nada a mim. Isso se torna confuso e engraçado pra mim, o fato é que depois de pensar, continuei. Creio que foi a melhor escolha, mas depende muito do ponto de vista. Eu estava ficando farto de tudo aquilo, e o sangue já não me dava prazer.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Ser, ou não ser?


Tomei o ar, e segui em frente, ainda que minhas pernas parecessem me matar a cada segundo. Peguei distancia o mais rápido que consegui, e mesmo machucado pude me impulsionar o suficiente para lançar-me ao ar, que logo mais seria interrompido pelo barulho de meu corpo se chocando com a água.
Pergunto-me, como fui parar onde fui parar? E por que diabos alguém me levaria até lá? Pergunta esta que me foi respondida logo após despir-me, já em casa, quando encontrei em um dos bolsos de minha jaqueta um bilhete que dizia o seguinte:
- Você não é o único, a saber, sobre sua existência.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Velhos e bons tempos


Os velhos tempos, mesmo que por aqui contados me trazem lembranças boas.
Eu devia ter meus 25 anos e estava em Londres. Aproveitei para curtir o bom do rock inglês e beber um pouco pela cidade, já que provavelmente a chance de voltar demoraria um pouco.
Fazia frio, e chovia naquela noite. Busquei me aconchegar em um bar e tomar uns “drinks” e foi isso que eu fiz. Sentei-me em uma mesa redonda com uma luminária de velas, e enquanto ia me sentando, e tirando o sobretudo, percebi que um garoto de uns 18 anos se aproximava para sentar na mesa ao lado. Quando olhei de novo, não pude conter minha felicidade em vê-lo. – O tal garoto havia me causado problemas a aproximadamente um ano deste tempo. Eu namorava uma garota, e acho que já me faço entender apenas com estas palavras.
Ele me reconhecera na hora, e imediatamente se retirara da mesa diretamente pra fora do bar. Levantei e me dirigi lentamente até a porta de saída, então seguindo o “moleque” até em casa.
Chegando lá aguardei uma hora, até que a situação já estivesse finalmente esquecida. A chuva já havia aumentado, logo o risco de alguém me ver era praticamente nulo. Bati na porta uma, duas, três vezes até o garoto abrir, sem idéia de quem o aguardava.
Eu levava sempre comigo um canivete, algo simples, nada muito especial. Mas já me salvara muitas vezes da morte, ou deveria dizer: “da vida”.
O garoto ficou inerte e quase de joelhos em minha frente enquanto eu ironizava as seguintes palavras: Estou com medo do escuro!

Esfaquear: Atacar com faca, cortar, penetrar com a faca inúmeras vezes, dar muitas facadas.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Sarah parte 2

Conforme o misterioso carro se aproximava do velho galpão, mais de longe eu o observava: eu sabia que não poderia facilitar, e minha “profissão” já era arriscada o suficiente para eu deixar de tomar certos cuidados.
Esperei até o carro entrar pelo portão lateral, e assim cuidadosamente me aproximei. Era clara a obviedade do plano desde a perseguição: me atrair para o galpão e, bem, o resto irei descobrir.
Cheguei a uns 100 metros do velho galpão, estacionei meu maverick, saquei minha magnum 44, então segui a pé me aproximando devagar até a porta dos fundos, que se encontrava aberta. Coincidência ou não, pensei seriamente em entrar, mas a janela um pouco mais a esquerda da porta me chamara à atenção. Dei uma breve olhada pela janela, onde só conseguia ver uma sala, era um escritório: havia uma escrivaninha, alguns fichários, papéis espalhados, e muito, mas muito pó. Levantei a trava que bloqueava a janela e “segurando pelo vidro” a abri vagarosamente, o que não impediu de a mesma emitir um rangido estridente.
Existem coisas que você sabe que deveria ter feito, e aos poucos você começa a perceber que é difícil haver uma segunda chance, mas também, não custa nada tentar.
Espiei pela fenda da fechadura do escritório, e obtive uma resposta, uma resposta surpresa com o nome de Sr. Hernan. Repentinamente passou um breve filme em minha cabeça sobre tudo o que havia acontecido no mês anterior e claro: a mentirosa historia de Sr Hernan sobre meu pai. Eu havia me convencido de que ele me observava a algum tempo, e demonstrou profunda paciência em aprender sobre mim. Eu precisava acabar novamente com a concorrência e seria naquela hora que eu o faria.
Eu sempre soube o que fazer nessas horas, mas naquele momento eu senti medo pela primeira vez. Espiei pela fechadura novamente e vi Sr Hernan de costas para onde eu observava. Havia tubulações de gás e muitas caixas empilhadas, o que teoricamente facilitaria para mim em caso de algo dar errado.
Abri lentamente a porta, que por sorte estava encostada, - esta que felizmente não rangeu. Andei agachado até chegar bem próximo de Sr Hernan, então me levantei rapidamente. – PRO CHÃO FILHO DA PUTA!
– Ele estava realmente surpreso em ver que eu não entrara por onde ele havia planejado, suava feito um porco e rapidamente obedeceu. Acho que nunca estivera tão próximo da morte, mas eu havia mudado isso. Não tive pena: destruí sua perna com um tiro bem dado em seu joelho, e ecoou pelo galpão o seu grito de dor. Tirei a arma de perto dele e segui caminhando em direção ao tubo de gás, no qual desferi vários golpes de coronha para abrir o registro que obstruía a saída do gás. Acendi alguns trapos velhos que eu encontrara no escritório e deixei com que o “vazamento de gás” fizesse o resto do trabalho. Saí correndo para fora e quando passava pelo carro de Sr em breve falecido Hernan ouvi batidas em seu porta malas. – Você é um fracasso: pensei em voz alta. Abri o porta malas e logo pude reconhecer a suposta filha de Sr Hernan amarrada e amordaçada dentro do mesmo, e rapidamente sem qualquer cuidado a soltei. – Qual é o seu nome menina? Ainda com dificuldade para respirar ela respondeu.
– Meu nome é Sarah.