sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Sarah

Saí de casa tarde, e sem tomar café. Existem dias estranhos em que queremos fazer as coisas de modo totalmente diferente do que deveriam ser feitas, e nos deparamos com coisas ou pessoas que não imaginaríamos encontrar
Passei pelo parque da cidade, e fui dirigir para algum lugar que me fizesse pensar um pouco, não que fizesse diferença, mas mesmo assim eu queria tentar.
Saí da cidade, passando em meio a um corredor de árvores quase que infinito, e muita umidade, pois naquela época do ano chovia muito. Percebi que desde que eu havia saído da área da cidade, alguém me fizera companhia de longe. Alguém estava me seguindo, e eu precisava saber o motivo. Pisei fundo no acelerador, e segui como se estivesse fugindo, e como era de se esperar, o outro carro fizera o mesmo para não me perder de vista.
Eu não costumo ter humor prolongado e aquilo já estava me enchendo o saco. Estávamos a 10 km da cidade e eu ainda não havia percebido o motivo da perseguição sem ação, então parei o meu maverick no acostamento, fui até o porta-malas e de lá saquei minha espingarda. Andei em direção ao outro carro, enquanto ele se aproximava lentamente, mas ao perceber que eu estava armado, saiu em disparada, e passou por mim fritando pneus.
Agora a perseguição havia mudado, e ironicamente eu estava perseguindo. – Na verdade as coisas deveriam sempre funcionar assim.

CONTINUA...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Identidade

Foram dois longos anos que eu passei longe de Malta, e foi o suficiente para eu entender que as coisas estavam mudadas por lá. Desde o ultimo “incidente”, resolvi partir para qualquer lugar que me livrasse do peso da culpa, e da cadeia também.
Arrumei as malas e parti. Chovia muito, então me aproveitei para não ser percebido saindo de meu apartamento, já que todos ficavam aconchegados em seus cobertores, e como era domingo, não havia nada melhor para se fazer.
Após horas, muitas horas de viagem, postos de gasolina, frentistas, prostitutas querendo trabalhar, algo havia me chamado atenção. Em meio a árvores, e vegetação alta na margem da estrada havia uma placa que dizia: Costa Norte a 30 km. Imediatamente percebi que já havia encontrado uma nova cidade para me “acolher”.
Eram 13h23min, e eu havia chegado à Costa Norte, nome este, que fora dado em homenagem ao grande lago ao norte da cidade: Lago Maia Costa- que era popularmente chamado pela população, de Lago Maia. Era uma cidade pequena, aproximadamente vinte mil habitantes, pessoas aparentemente felizes com a vida e de bem uns com os outros.
Estacionei meu maverick 73 em frente à prefeitura, entrei para anunciar minha chegada à cidade, e fazer algumas amizades influentes - pois nesse ramo isso conta muito, e é de suma importância ter uma boa “carta na manga”.
Não demorou muito e encontrei um bom apartamento, então decidi de uma vez que por lá eu ficaria. Apartamento este, que ficava de frente para a avenida principal da cidade, havia uma linda vista, vizinhança boa, e suspeita zero.
Mais três anos se passaram, e estava na hora de eu começar a agir novamente. Meu circulo de amizades estava completo, minha influencia dentre o meio já estava começando a dar o ar de sua graça, afinal... - Eu era um cara legal, pelo menos até que provassem o contrário.

domingo, 22 de agosto de 2010

Funeral

Névoa: É uma nuvem stratus cuja base está no solo ou perto dele e reduz a visibilidade a menos de um quilômetro.
Naquele dia, uma névoa cobriu Malta, e eu saí para "caçar", como um lobo arrebata sua presa em dia de grande fome. Estaria eu trancado em casa, se não aproveitasse desse belo fenômeno da natureza para trabalhar. Banhando a cidade em um tom embranquecido e transparente, a névoa chegara para dar um ar sombrio e ao mesmo tempo um sentimento e vontade de permanecer o mais fundo possível em meio aos cobertores. Eu que costumava pular cedo da cama, naquele dia permaneci recolhido por mais uns vinte curtos, embora longos minutos.
A cidade estava perfeita para mim, todos se concentravam para o funeral do Senhor prefeito, um homem "honesto"- Não contive a gargalhada. Aproveitei-me mais uma vez da situação e confesso que aproveitar-me da situação já estava por se tornar um hábito incongruente.
Becos são lugares interessantes e que me cativavam de certa forma, e com ajuda da neblina isso se tornava mais interessante ainda: Procurei um lugar para ficar e aguardar, enquanto varias pessoas passavam em frente da pequena rua, eu as matava uma a uma, silenciosamente com os olhos. Dei uma breve espiadela e vi que se aproximava um homem de aparentemente uns 34 anos, baixo, calvo, e os poucos fios de cabelo que lhe restaram na cabeça, já se tornavam grisalhos. Aguardei por um instante, e no momento em que o homem atravessara a linha de meu corpo com a calçada, eu o agarrei, de forma rápida saquei minha faca, e com ela desferi inicialmente um só golpe vertical, que se iniciou no umbigo e parou no inicio do peito do homem, que nem teve tempo de reagir. Apenas pude ouvir seu ultimo fio de respiração, uma respiração coberta por sangue, e um ruído estranho. Por fim desferi em minha vítima, agora já morta, o ultimo golpe, e no centro de seu crânio como de costume acontecia, o sangue jorrou como água., e com todo o restante se misturou, formando uma grande poça vermelha.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

15:00

Todos sabem que alguns políticos não são os melhores em fazer política, e bem, não sou a melhor pessoa pra falar de coisas erradas, mas muitas vezes não custa dar uma “forcinha”.
Eu tinha muitos contatos em Malta, e muitos algumas vezes me safaram da prisão, não que eu já não tenha sido preso, mas acredito que essa não seja a melhor hora pra falar disso, e tenho certeza que logo mais vocês saberão. Esses meus contatos ou informantes, como desejarem, me deixavam a par de tudo o que acontecia na cidade, e algumas vezes eu me deparava com alguns eventos interessantíssimos que por acaso cruzavam o meu caminho.
O prefeito Julio Marco Candietti, a primeira vista era a lei em pessoa, embora muitos achavam que um latão de lixo valia mais do que uma palavra que o careca e gordo prefeito falava, e não só falava, mas fazia, ao contrario e as escondidas, ou como diria minha falecida mãe: por baixo dos panos. Então decidi bancar o bonzinho e o maldoso ao mesmo tempo, na verdade não gosto de pensar assim, afinal, morte é morte e só.
Havia dias da semana em que o prefeito saía para se reunir com dirigentes das cidades vizinhas, eu já estava ciente de tudo isso, e de como eu faria o “trabalho”. O prefeito saía sozinho por baixo da prefeitura, em sua garagem privada, e é obvio que ninguém acreditou que ele realmente saía em reunião com dirigentes, mas sim para atividades ilegais, corrupção, pagamento de propinas e creio eu que todos já conhecem essa velha historia, e como a cidade ainda era pequena naquela época...bem, acredito que seria bem mais fácil esconder a sujeira.
Eu estava planejando isso fazia tempo, não que precisasse, era só entrar, matar e sair, não havia monitoramento algum então não precisei preocupar-me. Eu já havia comprado a arma fazia dois anos e foi a segunda vez que eu sangrei alguém com ela, uma linda pistola 380.
Era uma quarta feira, tomei meu café, vesti meu melhor terno, penteei meu cabelo, dei uma breve parada na loja de travesseiros, e segui em direção da prefeitura de Malta. Cheguei a meu destino as 14h30min, meia hora antes da saída do prefeito para as tais reuniões. Chequei todos os carros até encontrar o carro do Sr. Julio Marco, então saquei uma batata que estava em minha mochila para entupir o cano de descarga do carro. Meia hora depois lá estava o prefeito tentando dar partida, fiquei escondido atrás da coluna que ficava ao lado de seu automóvel, e aguardei ele sair do mesmo, para verificar se havia algo errado. Enquanto ele se preocupava em arrancar a batata do cano de descarga, eu me aproximei lentamente, e apenas uma coronhada foi o suficiente para deixar o Sr. excelentíssimo prefeito de Malta no chão. Saquei finalmente a arma, peguei o travesseiro e com um tiro silencioso o pintei de sangue, um sangue com um nível alto de gordura creio eu.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

vīnum

Existem várias formas de se morrer, ou de ser morto, assim como várias faces da morte, e muitas são as expressões faciais exprimidas nesse momento tão doloroso ou não, que todos iremos passar um dia.
Acordei muito bem aquele dia, os pássaros cantavam, havia sol depois de uma "interminável" chuva. O café estava especialmente bom naquele dia, e na verdade meu dia estava perfeito, eu precisava só mais uma coisa para tornar melhor.
A fazenda do Sr. Folson, um lugar ótimo para se viver, Sr. Folson era produtor de deliciosos vinhos e eu já era seu cliente há muito tempo. Naquele dia o bom homem não se encontrava na fazenda, sua esposa Eliza Folson me informara que seu marido teria ido a Malta, pagar contas e comprar algumas sementes para suas plantações, pedi-lhe então que me levasse até o porão onde ficava a vinícola, pois eu gostaria de escolher alguns de seus melhores vinhos. Confesso que aquele lugar me causava coceira no nariz, muito empoeirado, úmido, minha renite às vezes me "matava". Entramos e fui logo escolhendo, ao mesmo tempo em que a Sra Folson ia me indicando quanto ao ano e a qualidade dos vinhos. Tinham várias prateleiras cheias de garrafas
Eu bem sabia que não estava lá para comprar vinho algum, mas a Sra Folson não. Aquele dia estava perfeito demais, então resolvi diferenciar, em um momento de distração da pobre mulher, agarrei uma das garrafas e num movimento rápido acertei a parte frontal de sua cabeça, o impacto fora tão grande que pude ouvir seu crânio rachando, e devido a isso pude ter certeza que a vida já não habitava mais aquele corpo. Deixei seu corpo como havia caído, então segurei uma das prateleiras que estava posicionada em frente ao corpo, não precisei fazer muita força, apenas apoiei meu pé na parede e empurrei a prateleira de modo que caísse em cima do corpo da Sra Folson, o barulho foi grande, saí imediatamente de lá e não deixei de levar minha recompensa por tanto esforço.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Jolene parte 2 (Resposta à loucura)

Homicídio é um crime, vem do latim "hominis excidium", e consiste no ato de uma pessoa matar outra.
Não houve pedra alguma, ela nem ao menos resvalara, toda aquela situação já estava sendo demais pra mim. Enquanto eu trocava o pneu, a menina reclamava impaciente dizendo que se tivesse ido de ônibus ainda chegaria mais rápido em Buona vita, eu não pude suportar minha raiva, e nem quis suportar, me virei e acertei seu crânio com a chave de rodas fazendo a garota morrer instantaneamente. Era mais pesada do que parecia, coloquei seu corpo no porta malas, dei partida e saí em direção ao monte do javali, que naquela época era onde se praticava a caça ao javali. Entrei na estrada de terra, uma estrada íngreme e de difícil acesso, demorei pouco mais de vinte minutos para chegar onde eu iria enfim desovar o corpo que "descansava" no porta malas de meu maverick 73. Retirei o corpo, o despi, e o arrastei em direção à "vala", a vala era onde os caçadores despejavam os restos mortais de suas caças, e era onde a Srta. Jolene ficaria até a terra fazer o seu trabalho.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Jolene

A loucura ou insânia é segundo a psicologia uma condição da mente humana caracterizada por pensamentos considerados "anormais" pela sociedade. É resultado de doença mental, quando não é classificada como a própria doença.
Noite após noite eu ia perdendo o sono com aquilo que mais me dava prazer, o ócio me arrebatava e a morte gritava em meu ouvido, morte fria que não ouve o lamentar de seus corpos flagelados e decadentes.
Acordei eu em um salto, suando frio, coração palpitando, isso se eu ainda tivesse algum coração. Muitos pesadelos me atormentaram novamente naquela noite, eu era agora quase como um vampiro procurando por sangue. Peguei a chave do carro, um maverick 73 verde, entrei e pisei fundo, saí de meu bairro, cruzei a linha do trem e entrei na avenida principal de Malta, em direção à parte interiorana da cidade. Antes de descer para a entrada da estrada de terra havia um ponto de ônibus onde vagamente alguém ficava por ser distante da cidade, portanto mais perigoso. Naquele dia fora diferente, ao entrar na descida mesmo um tanto longe visualizei a moça que sentada esperava pelo transporte, naquela época era um tanto demorado e com certeza não era o melhor transporte publico do mundo, então decidi dar-lhe uma carona mesmo eu inquieto e suando frio. A mocinha já era conhecida, pois diariamente eu comprava o jornal junto à banca de seu pai. A bela moça me informara que estava indo à cidade vizinha comprar placas de chumbo para as impressoras de seu pai, já que ele era o principal fornecedor de jornais da cidade.
Seguíamos caminho então para a cidade de Buona vita, uma cidade de imigrantes italianos, pequena mas bem desenvolvida para a época quando um dos pneus furou, eu imediatamente quando percebi saí do carro, já não era o melhor de meus dias e isso o tornara pior, a moça muito atenciosa dirigiu-se até mim para oferecer ajuda, mas dispensei e sugeri que ficasse fora do carro. Peguei a chave de rodas, o macaco e fui fazer o trabalho, não havia uma alma viva no local e o sol estava me enlouquecendo cada vez mais, eu não sabia o quanto mais eu podia agüentar. Soltei a chave de rodas, sentei e descansei ao lado do carro. Levantei-me um tempo depois, acabei o serviço e entrei no carro, e a moça ia fazendo o mesmo, e se não fosse por um pedregulho ela teria entrado e teríamos partido. Quando ia caminhando em direção ao carro a bela moça resvalara em um pedregulho solto na estrada, fazendo a cair e ficar inconsciente ao encontrar o chão. Rapidamente saí do carro, verifiquei sua pulsação e talvez já estivesse muito tenso e a loucura me tomara conta nesses dias então nada senti ao tocar seu pulso,imediatamente abri o porta malas do carro onde despejei seu corpo. Lembro-me apenas que dei partida e saí, e talvez até o próximo post eu tenha lembrado algo novo para lhe contar.